Concerto de Órgão – Júlio Amstalden

Detalhes do evento

  • domingo | 17 de setembro de 2017
  • 12:15
  • Igreja do Mosteiro de São Bento | Largo de São Bento s/n | Estação São Bento do Metrô

Dia 17 de Setembro de 2017, neste Domingo às 12h15
no Mosteiro de São Bento

- Entrada Franca -

Prof. Júlio Amstalden

amstalden

Júlio Amstalden iniciou seus estudos musicais na então Escola de Música de Piracicaba, instituição onde foi aluno de Elisa Freixo (órgão) e Ernst Mahle (harmonia e contraponto).

Obteve o título de Mestre em Artes pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de São Paulo, onde foi orientado pela organista Dorotéa Kerr. Na Universidade de Alberta, Canadá, foi aluno da organista Marnie Giesbrecht.

Doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), tendo sido orientado pela profa. Dra. Olga Von Simson. Também na UNICAMP, foi aluno de cravo de Edmundo Hora.

Foi organista na Igreja Sagrado Coração de Jesus de Piracicaba, bem como organista e regente coral na Universidade Metodista de Piracicaba. Apresentou-se em várias cidades do Brasil, na Argentina e no México.

Atualmente é docente no Curso de Licenciatura em Música da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP) e organista e regente de coro na Basílica Nossa Senhora do Carmo de Campinas.

Programa do Concerto no Mosteiro:

C. Franck – (1822-1890)
Prelúdio, Fuga e Variação

J.C. Amaral Vieira – (1952)
Suíte para órgão (1998), op.292
Allegro non troppo
Giocoso
Serioso
Allegro non troppo
Maestoso

J. Goldenbaum – (1982)
Preces Infinitas
(2016, dedicada a Júlio Amstalden, primeira audição)

J. Alain – (1911-1940)
Litanias

Este repertório foi construído com base em textos de G. Simmel e W. Benjamin. Em “As grandes cidades e a vida do espírito”, Simmel escreve sobre o comportamento blasé dos habitantes da cidade grande. Tal comportamento seria a reação à quantidade grande e variada de estímulos diferentes e uma das formas de “resistência do sujeito a ser nivelado e consumido em um mecanismo técnico-social”. O caráter da primeira peça, “Prelúdio, fuga e variação”, de C. Franck, é blasé e melancólico, de maneira a refletir o período em que o compositor viveu: Paris, sua cidade, já era um grande centro no século XIX, bem como cenário de um personagem que Benjamin chamou de flaneur, um observador de panoramas, mas que possui relações profundas com a cidade, relações essas formadas por sentimentos e contradições.

Segundo Simmel, “O fundamento psicológico sobre o qual se eleva o tipo das individualidades da cidade grande é a intensificação da vida nervosa, que resulta da mudança rápida e ininterrupta de impressões interiores e exteriores”. A obra de Amaral Vieira, com seus cinco movimentos, pode ser entendida como narrativa dessas “impressões interiores e exteriores”, uma vez que nos apresenta seções intensas e muito contrastantes quanto ao afeto que transmitem. Dessa forma, remetem-nos também àquilo que W. Benjamin analisa como próprio das narrativas: a experiência. De acordo com ele, “A experiência que passa de pessoa a pessoa é a fonte a qual recorreram todos os narradores”. Nesse sentido, compositores podem ser entendidos como narradores de experiências que, em seu tempo e seu lugar, são comuns a todos e inerentes à condição humana.

Benjamin nos afirma que o narrador retira de sua própria experiência ou da de outrem aquilo que conta. Assim, as obras musicais também são narrativas, advindas ou da experiência de quem as compôs ou da experiência observada por este. Experiências que se constituem no seio de uma coletividade – nas cidades. As cidades são, por si só, educativas, tanto em relação àquilo que é objetivo e concreto quanto em relação àquilo que é subjetivo. Simmel, entretanto, afirma que as grandes cidades subtraíram do indivíduo “todos os progressos, espiritualidades e valores e os transladou da forma da vida subjetiva à forma da vida puramente objetiva”. Dessa maneira, independentemente de que crença um indivíduo possui, a expressão de sentimentos e anseios através da oração é uma forma de resistência da subjetividade de cada um. As duas obras que concluem o programa apontam nesse sentido.

“Preces Infinitas” (cuja primeira audição se fará hoje!), de Jean Goldenbaum, foi construída sobre antigos tons salmódicos judaicos.

“Litanies”, do Francês Jehan Alain, é a repetição de um mantra, até chegar-se a um êxtase.

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